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Palavra de economista: Como o consumidor chega à reta final de mais um ano?

19112018-PalavraEconomistaEndossadaDados de sondagens feitas pelo SPC Brasil mostram que o quadro ainda é de aperto: cerca de oito em cada dez consumidores dizem estar com as finanças no zero a zero (paga tudo, mas não sobra nada) ou no vermelho (não sobra nada, e ainda falta).

Outros dados de fontes oficiais ajudam a compreender melhor esse quadro: segundo o IBGE, a renda média do brasileiro hoje é de R$ 2.155,0. Esse valor caiu, em termos reais, no período mais agudo da crise e, embora venha se recuperando, ainda não fica muito acima dos valores observados em 2014. Já o desemprego segue elevado, apesar das recentes e ligeiras quedas: no trimestre encerrado em junho, a taxa de desemprego era de 12,4%; no trimestre encerrado em setembro, passou para 11,9%.

Outra realidade dura é a da inadimplência. O SPC Brasil estima que cerca de 40% dos brasileiros com mais de 18 anos estão com o nome registrado nos cadastros de devedores. Cada devedor tem pendências com dois credores, em média.

O pano de fundo desse cenário é uma economia que se recupera muito lentamente de uma severa recessão. A economia cresceu 1% em 2017 e deverá crescer um pouco mais do que isso em 2018. Nesse ritmo, levará alguns anos para recuperarmos as perdas dos últimos anos. A inflação acelerou pelo terceiro mês seguido, alcançando 4,56% no acumulado dos 12 meses encerrados em outubro, mas permanece dentro do esperado e muito próximo da meta perseguida pelo Banco Central.

A imagem do copo meio cheio e meio vazio ainda resume o cenário: o desemprego cai, mas vagorosamente; e a economia cresce, mas lentamente. Para os próximos meses, espera-se que a confiança dos consumidores e empresários cresça em resposta à definição eleitoral e ao início de um novo ano. Se isso vier acompanhado de reformas de longo prazo, é bastante provável que o ritmo da atividade econômica acelere.

Mesmo com as dificuldades ainda presentes, os consumidores se permitirão um agrado no Natal, assim como se permitiram nos natais da crise. O SPC Brasil estima que a principal data comemorativa deverá injetar nada menos que R$ 53,5 bilhões na economia. Descontada a inflação, o número é bem próximo do que foi estimado no ano passado e equivale praticamente à soma de outras quatro datas comemorativas que também costumam movimentar o comércio: o dia das mães, o dia dos namorados, dos pais e das crianças.

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